Musicoterapia no Brasil: Melhora a Saúde e o Bem-Estar de Idosos em Instituições e em Casa

Musicoterapia no Brasil: Melhora a Saúde e o Bem-Estar de Idosos em Instituições e em Casa

Musicoterapia no Brasil: Melhora a Saúde e o Bem-Estar de Idosos em Instituições e em Casa

A musicoterapia tem se mostrado uma ferramenta valiosa para a promoção da saúde e do bem-estar de pessoas idosas no Brasil. Uma revisão de escopo, baseada na metodologia do Instituto Joanna Briggs (JBI) e no checklist PRISMA-ScR, analisou intervenções musicoterápicas realizadas com esse público no país, evidenciando resultados positivos e apontando caminhos para futuras pesquisas.

O Envelhecimento Populacional Brasileiro e a Busca por Soluções

O Brasil, assim como o resto do mundo, tem vivenciado um aumento significativo na população idosa. Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, representando aproximadamente 15,8% do total da população. A expectativa é que essa proporção chegue a 30% em 2050. Esse cenário impõe desafios crescentes na oferta de serviços médicos, sociais e psicológicos adequados, uma vez que muitos idosos enfrentam condições crônicas de saúde, como doenças cardíacas, respiratórias, mentais, além de perdas funcionais e cognitivas.

Diante dessa realidade, o cuidado com o idoso precisa ser multidimensional e multidisciplinar, englobando não apenas o tratamento de doenças, mas também a prevenção, a reabilitação, a promoção da saúde e a manutenção da qualidade de vida. Nesse contexto, terapias complementares e integrativas ganham destaque.

Musicoterapia: Uma Abordagem Integral para a Terceira Idade

A musicoterapia, regulamentada pela Lei nº 14.842/2024, utiliza a música e seus elementos (harmonia, melodia, ritmo) para alcançar aspectos biopsicossociais e espirituais do ser humano. O profissional habilitado, o musicoterapeuta, emprega técnicas e métodos específicos para atender às necessidades de cada indivíduo. Dentre os benefícios observados estão o estabelecimento de comunicação, o resgate da identidade, a melhora da autoestima e autoconfiança, a diminuição da ansiedade e depressão, o estímulo à expressão emocional e a manutenção das funções cognitivas.

Estudos apontam a eficácia da musicoterapia no tratamento de diversas condições, como hipertensão, demências (incluindo Alzheimer), sequelas de AVC, doença de Parkinson, entre outras. A questão norteadora da revisão buscou responder: “Como se caracterizam as intervenções musicoterápicas realizadas em idosos no Brasil?”

Metodologia e Resultados da Revisão

A pesquisa adotou a metodologia do Instituto Joanna Briggs (JBI) e o checklist PRISMA-ScR, buscando artigos originais, relatos de experiências e estudos de caso publicados nos últimos dez anos em bases de dados como o Portal de Periódicos Capes e o site da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (UBAM). Os descritores utilizados foram “musicoterapia”, “idosos”, “envelhecimento”, “velhice” e “gerontologia”.

Foram incluídos 8 estudos que evidenciaram a contribuição positiva da musicoterapia para a saúde e o bem-estar dos idosos. Os resultados indicaram uma prevalência de intervenções realizadas em instituições de longa permanência, com sessões semanais de aproximadamente 1 hora de duração e com um público majoritariamente feminino. As experiências musicais mais utilizadas foram a recriação e a audição musical.

A Necessidade de Ampliar a Pesquisa em Musicoterapia Geriátrica

A análise dos estudos revelou que as intervenções musicoterápicas no Brasil frequentemente empregam as experiências musicais de improvisação, recriação, composição e audição, conforme categorizadas por Bruscia (2016). A recriação emergiu como a prática mais comum, seguida pela audição. Instrumentos como violão, percussão e vocalizações foram frequentemente utilizados.

Apesar dos resultados promissores, a revisão destaca a necessidade de incentivar e ampliar as pesquisas sobre musicoterapia na área da gerontologia no Brasil. Tal expansão é fundamental para consolidar a prática, desenvolver novas abordagens e garantir que um número cada vez maior de idosos possa se beneficiar dos efeitos terapêuticos da música.

Escrito por
Felipe Mazzucco
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