Introdução
O delirium é um distúrbio agudo do cérebro que afeta muitos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI), especialmente aqueles submetidos à ventilação mecânica. Caracterizado por alterações na atenção, no estado de consciência e no pensamento, este quadro pode acelerar complicações como aumento do tempo de internação, mortalidade e disfunções cognitivas a longo prazo.
Como o tratamento farmacológico muitas vezes não resolve o problema, pesquisas têm buscado intervenções não farmacológicas, como a musicoterapia, que oferece benefícios no relaxamento, redução da ansiedade e melhora do conforto do paciente. Diante desse cenário, este artigo de revisão integrativa visa analisar a efetividade da musicoterapia como intervenção não farmacológica no tratamento do delirium em pacientes adultos internados em UTI.
Serão explorados estudos que investigam os efeitos da música na redução da agitação, na melhora do ciclo sono-vigília e na modulação do humor, buscando evidenciar o potencial da musicoterapia como uma ferramenta adjuvante no cuidado integral do paciente crítico. A análise crítica da literatura permitirá identificar as melhores práticas e lacunas existentes, fornecendo subsídios para a implementação de protocolos de musicoterapia eficazes e personalizados em ambientes de terapia intensiva..
Principais estudos e métodos utilizados
Após buscar em bases de dados como PubMed, Scopus, CINAHL e Google Scholar entre 2014 e 2024, foram selecionados cinco estudos relevantes, incluindo quatro ensaios clínicos randomizados e um estudo piloto. Os participantes, com idades acima de 18 anos e sob ventilação mecânica, tiveram seus sintomas de delirium e níveis de agitação avaliados por escalas específicas, como a CAM-ICU, RASS e CPOT.
Resultados destacados
Todos os estudos evidenciaram que a musicoterapia, especialmente quando personalizada e com ritmo lento, contribui para reduzir a agitação, diminui a frequência cardíaca e melhora o bem-estar geral dos pacientes. Por exemplo, a pesquisa de Golino et al. (2023) mostrou uma diminuição significativa na ansiedade, dor e agitação após sessões de música ao vivo de 30 minutos, conduzidas por musicoterapeutas certificados. Outros estudos, como o de Browning et al. (2020), indicaram que pacientes que ouviram música apresentaram um tempo menor em estado de delirium, enquanto a pesquisa de Seyffert et al. (2022) revelou uma redução na incidência de DELIRIUM, com aumento no número de dias sem sintomas.
Impactos na prática clínica
As evidências apontam que a musicoterapia pode ser uma ferramenta promissora para diminuir o uso de medicamentos sedativos, que muitas vezes têm efeitos colaterais adiando a recuperação. Além disso, a personalização e o ritmo da música parecem ser fatores cruciais na eficácia do método. Todavia, apesar dos bons resultados, os estudos ainda apresentam limitações, como tamanhos reduzidos de amostras e variações nos protocolos utilizados.
Conclusão
Embora mais pesquisas sejam necessárias para estabelecer a melhor forma de aplicar a musicoterapia, os estudos revisados reforçam seu potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes durante a ventilação mecânica na UTI. Essa abordagem não invasiva e de baixo custo pode, futuramente, integrar o cuidado multidisciplinar, contribuindo para menores taxas de delirium, menor uso de medicamentos e melhores desfechos clínicos.Adicionalmente, a musicoterapia pode influenciar positivamente parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória, promovendo relaxamento e bem-estar. A implementação da musicoterapia em UTIs requer profissionais capacitados e protocolos bem definidos, adaptados às necessidades individuais de cada paciente e em consonância com as diretrizes clínicas existentes. É fundamental considerar a preferência musical do paciente, o momento adequado para a intervenção e a interação com outras terapias em curso, a fim de maximizar os benefícios e evitar efeitos adversos. Estudos futuros devem se concentrar em determinar a duração ideal das sessões, a frequência das intervenções e os tipos de música mais eficazes para diferentes populações de pacientes em ventilação mecânica.